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Alimentos biológicos na infância: quais são as verdadeiras vantagens?

A dúvida atravessa a mente da maioria dos pais (e não só): optar por uma alimentação biológica traz benefícios reais para a saúde das crianças?

Com tantos conceitos diferentes – biológico, orgânico, probiótico, verde – é fácil ficarmos confusos. Aproveitámos e fomos falar com uma perita nestes temas, a nutricionista Joana Malta da Costa, para aprendermos um pouco mais.

Vamos por partes! Afinal o que é que a designação “biológico” quer mesmo dizer? De uma forma geral, a agricultura biológica recupera as técnicas tradicionais do cultivo dos alimentos, promovendo um maior respeito pelo ambiente, pelos animais e pelo próprio ser humano. Ao comprar produtos que tenham o logótipo da União Europeia para a agricultura biológica, os consumidores sabem que pelo menos 95% dos ingredientes foram produzidos de uma forma biológica – sem aditivos, pesticidas ou radiações ionizantes; que os produtos de origem animal provêm de animais que pastam em liberdade e só recebem alimentação vegetal e bio; e que na produção não são usados organismos geneticamente modificados.

Embora não existam estudos epidemiológicos concretos que comprovem que uma alimentação sustentada por produtos biológicos se reflecte em benefícios directos na saúde de um adulto, a verdade é que estes são alimentos isentos de químicos, que apresentam maior teor de minerais e vitaminas, como o fósforo, o magnésio, o cálcio e a vitamina C. As crianças, por estarem em crescimento e possuírem ainda um trato intestinal em desenvolvimento e defesas mais frágeis, são especialmente vulneráveis a substâncias como pesticidas e aditivos. Por todas estas razões (e também por serem muito mais saborosos, claro), é aconselhável optar por alimentos biológicos. Se tal não for possível, por razões financeiras, por falta de acesso a esse tipo de produtos, ou outra razão qualquer, o ideal é promover sempre uma alimentação saudável, variada e equilibrada.

Mas mesmo os produtos que se auto-intitulam de “bio” podem não cumprir nenhuma das regras da produção biológica de que falamos ali em cima. Os iogurtes, por exemplo, usam muitas vezes esta denominação só para ressalvar que são probióticos, ou seja, alimentos que contêm microorganismos vantajosos para o organismo. A UE está a tentar regulamentar a rotulagem de forma a que esta informação se torne cada vez mais clara.

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As horas passadas no supermercado são aquelas onde mais dúvidas se levantam, principalmente quando tentamos fazer a escolha mais saudável para os mais pequenos. Porque sabemos nem sempre podemos optar pelos produtos certificados, reunimos uma série de dicas que podem ajudar. Tente:

  • Ler sempre os rótulos dos produtos cuidadosamente;
  • Optar por fruta e legumes da época, produzidos localmente;
  • Pensar que, quanto mais curto for o prazo de validade, menos conservantes devem constar no rótulo;
  • Não negligenciar a secção dos congelados: estes produtos podem ser tão nutritivos como os vegetais frescos;
  • Evitar listas de ingredientes longas e com muitos aditivos alimentares (começam pela letra E seguida de três algarismos ou estão escritos por extenso), onde se incluem os corantes, conservantes, emulsionantes, espessantes, intensificadores de sabor, edulcorantes, etc;
  • Preferir alimentos sem açúcares adicionados, com poucas gorduras saturadas e trans, com pouco sal;
  • Optar por géneros alimentícios pouco processados, uma vez que as crianças estão especialmente vulneráveis aos efeitos nefastos que estes produtos podem trazer para o organismo;
  • Procurar produtos com alto teor de fibras, principalmente legumes e fruta (ervilhas, abacate, brócolos, por exemplo);
  • Na hora de escolher entre comprar produtos biológicos ou não, consultar esta lista que indica os alimentos mais contaminados por pesticidas: aipo, pimento, batata, cenoura, espinafre, alface, pêssego, maçã, morango, cereja, amora e framboesa.


 

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