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Setembro é sinónimo de “destralhar”

Continua a ser surpreendente a velocidade com que as divisões das nossas casas ficam cheias de tralha. Tentamos ser mais minimalistas, fazemos limpezas de tempos a tempos, mas a verdade é que voltamos ao mesmo cenário num abrir e fechar de olhos. A pergunta impõe-se: o que estamos a fazer mal? Como podemos ser mais eficazes? O verbo que tem de começar já a usar é este: "destralhar"!

Se quer aproveitar este início de Setembro – o mês que quase bate Janeiro no que diz respeito a novos começos – para destralhar a sua casa, veio ao sítio certo. Padecemos do mal generalizado de acumular coisas e mais coisas: loiça que usamos uma vez por ano (se tanto), roupa na qual não cabemos há uma década, papéis gastos e amachucados que enchem gavetas… podíamos estar aqui o dia todo. Sabemos que somos assim, que temos esta tendência de guardar o que já não precisamos – porque não decidir que já chega, que é agora que vamos mudar? Elaborámos uma lista de conselhos para vos ajudar nesta odisseia. Esperamos que sirva de inspiração (e se tiverem sugestões mágicas, não se inibam e comentem)!

Aplique a regra 90/90

Esta é uma estratégia simples criada por Joshua Fields Millburn e Ryan Nicodemus, o duo por trás do blogue The Minimalists. A regra 90/90 é um processo muito fácil de seguir – na hora de decidir se fica ou não com algo, apenas tem de fazer a si mesmo estas duas questões:

Usou esta coisa nos últimos 90 dias? Será que a vai usar nos próximos 90?

Se a resposta a ambas for negativa, a opção mais segura é livrar-se desse item. Temos a certeza de que, se seguir este princípio à risca, irá sentir-se muito mais leve no final! Esta regra pode ajudá-lo a ser implacável na hora de destralhar, mas o seu verdadeiro valor é um pouco mais profundo que isso. De acordo com os The Minimalists, o conceito tem como verdadeiro objectivo inspirar as pessoas a moverem-se na direcção certa, ajudando-as a deixar partir algo ou alguém, mesmo quando parece impossível. As regras podem ser restritivas, enfadonhas, chatas, mas muitas vezes têm o poder de nos focar numa altura de mudança. E também é importante lembrar que esta pode ser flexível – 90 dias podem não ser aplicáveis a alguns dos seus pertences. Por exemplo, um casaco quente de inverno, um livro, ou o desentupidor de canos podem não ser usados durante alguns meses, mas serem essenciais numa determinada altura. Millburn e Nicodemus explicam que, nestes e noutros casos, tem completa liberdade para transformar os 90 dias em 120, ou 6 meses, desde que esteja a ser honesto consigo e que estas coisas o façam feliz ou sirvam algum propósito mais prático.

(Sugerimos também este jogo, que pode dar-vos uma motivação extra!)

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Dedique-se a cada divisão em separado, ou divida a casa por zonas

Evite passear-se pela casa a arrumar coisinhas aqui e ali. Se quer destralhar a sério, convém que se foque e invista algum tempo em cada uma das divisões (e dentro das divisões, em cada um dos armários, caixas, gavetas, baús). Faça um plano e comece pelo mais complicado – a arrecadação onde não entra há meses, ou o que foi acumulando debaixo da cama – e cumpra-o até ao fim, só assim vai perceber plenamente a máxima “casa arrumada, cabeça em ordem”. Há teorias que defendem que uma dose extra de motivação pode advir de fazer pequenos sprints de meia hora em cada divisão, em vez de se aborrecer durante horas e horas sempre no mesmo espaço. O importante é que faça às coisas ao seu ritmo e que se comprometa a não deixar nada a meio.

Use o método das quatro caixas

Caixa 1 – Lixo – Aqui deve incluir tudo o que não vale a pena doar ou vender, como roupa demasiado usada ou com buracos, coisas partidas que não valem o custo da reparação, papéis antigos, etc.

Caixa 2 – Doar / vender – o pensamento deve ser: o quão importante certa coisa pode ser para alguém vs. o uso real que lhe dá. Outra opção, talvez mais para objectos de decoração, livros, discos, etc., pode ser fazer uma venda de garagem e ganhar algum dinheiro extra.

Fica aqui uma lista de instituições que recebem doações de roupa e brinquedos, em Lisboa.

Caixa 3 – Armazenar – este é o lugar das coisas de que não faz sentido desprender-se, mas que também não vai precisar diariamente. Aconselhamos a que faça um inventário de tudo o que escolher pôr nesta caixa e tentar agrupar por tipos. Uma boa forma de limpar os roupeiros é juntar a roupa que é mais sazonal e armazená-la durante os meses em que não a vai usar.

Caixa 4 – Guardar – idealmente, esta deve ser a caixa com menos coisas – as que vai efectivamente usar no seu dia-a-dia. Uma boa forma de se controlar, é assegurar-se de que vai ter um lugar específico para cada um dos itens com que decide ficar.

Coisas a ter em mente

Sabemos que desfazer-se de objectos com um grande valor sentimental pode ser uma tarefa árdua, mas lembre-se de que eles não são equivalentes às memórias que guarda de quem os ofereceu. Claro que há coisas que funcionam quase como uma ligação a outros tempos, a pessoas que já partiram ou que já foram importantes para nós, mas muitas vezes exageramos nessa ligação emocional aos bens materiais. Analise o que tem à sua frente e aproveite para fazer uma auto-análise! 

Ficar com coisas porque pode precisar delas um dia mais tarde pode parecer uma boa razão para atafulhar os seus armários. Vá repetindo para si mesmo que precisa mesmo de espaço e de organização na sua vida.

A IKEA criou, no passado mês de Maio, o movimento #euqueroarrumar, com o intuito de ajudar os portugueses a arrumar e organizar os seus lares. Foi realizado um estudo que revelou que 59% dos lisboetas dizem ter tantas coisas em casa que não as conseguem organizar; 27% sentem-se irritados por causa da desarrumação que os rodeia; e 15% discutem todas as semanas sobre este tema. Aqui, pode ouvir conselhos de vários especialistas, inspirar-se com as transformações que outras famílias aplicaram nos seus espaços, e ver produtos da marca que podem motivar esta mudança.

Existem também alguns livros que podem ser autênticos sidekicks nesta missão! Aqui ficam 5 conselhos: Destralhe a sua casa, de Paula Margarido; Arrume a sua casa, arrume a sua vida, de Marie Kondo; O poder do menos, de Leo Babauta ; Organizing from the Inside Out, de Julie Morgenstern; e Organize-se, de Donna Smallin.

Agora que chegou ao fim, respire fundo! Está tudo em ordem, o que escolheu manter está no seu devido lugar, e o que estava a mais já foi doado a alguém ou deitado fora. Aproveite bem este momento e olhe para o seu lar – temos a certeza de que o vai sentir mais seu e que a vontade de voltar para casa ao final do dia vai duplicar ou triplicar. Deu um passo enorme no que diz respeito à organização da sua vida, passou a ter mais liberdade de espaço e de tempo. Agora é tempo de desfrutar do resultado!

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