Spots & Cities

Carta de amor ao nosso bairro

Vistas deslumbrantes com o Tejo ao fundo, comércio para todos os gostos e feitios, alguns dos melhores restaurantes da cidade, ruas largas onde apetece caminhar, um jardim cheio de vida, e, claro, o escritório da HomeLovers Lisboa: este é o bairro Castilho!

Não podemos deixar de começar este texto por aquele que consideramos o ex-líbris da zona – o Parque Eduardo VII, com o seu enorme relvado ladeado por passeios de calçada portuguesa. Foi, inicialmente, baptizado de Parque da Liberdade, por ser um prolongamento da avenida homónima. A denominação foi alterada depois da visita do rei de Inglaterra, em 1903, que veio a Portugal reafirmar a aliança entre os dois países. Este é um dos espaços verdes mais importantes de Lisboa, com uma extensão de cerca de 25 hectares, tendo vindo a afirmar-se como o local ideal para feiras, exposições e outros certames. A actual configuração do parque foi projectada pelo arquitecto Francisco Keil do Amaral. Lá em cima, é possível ver uma enorme bandeira de Portugal, assim como uma das melhores vistas de Lisboa!

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Sabia que a bandeira foi sugerida em 2003 por um menino, de seu nome Tomás Carvalho, com apenas 8 anos, ao então Presidente da República, Jorge Sampaio? O Tomás tem hoje 22 anos, se algum de vocês conseguir enviar-lhe neste texto, gostávamos de lhe agradecer: todos os dias a vemos da nossa janela. 🙂

Para nós, nestes quatro anos em que passámos o nosso dia-a-dia junto ao Parque Eduardo VII, este foi um lugar onde íamos respirar durante a hora de almoço ou ao final da tarde, onde visitámos mercados de Natal, onde pudemos usufruir dos melhores negócios da Feira do Livro. E não nos podemos esquecer, claro, da Estufa Fria, um dos locais da cidade mais dados à contemplação. Sabia que, no final do século XIX, existia aqui uma pedreira de onde se extraía basalto? Deixou de trabalhar quando se descobriu a existência de uma nascente de água que comprometia a extracção da pedra. Em 1912, com o objetivo de albergar espécies oriundas do mundo para o plano de arborização da Avenida da Liberdade, foi construído uma zona de abrigo para plantas delicadas.

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Mas a verdade é que a rua Castilho é longa e apenas corre paralelamente ao parque em metade da sua extensão. Ao percorrê-la, sentimos que se vai alterando, embora mantenha sempre a sua faceta urbana e cosmopolita. O luxo não se limita apenas às lojas e hotéis, mas também aos edifícios: continuamos a ficar completamente surpreendidos com a variedade de estilos que existe aqui. É bem possível que encontrem membros da equipa da HomeLovers parados na rua a olhar para cima! Nesta rua podemos encontrar alguns prémios Valmor: o edifício de gaveto, no cruzamento da Rua Castilho com a Rua D. Francisco Manuel de Melo (1980); o edifício do Banco Fonsecas & Burnay, na esquina com a rua Barata Salgueiro (1984)e o mítico “Franjinhas”, entre a rua Braamcamp e a Castilho (1971).

Se começarmos o nosso passeio junto à rua do Salitre, sentimos que ainda estamos numa extensão da Avenida de Liberdade; no cruzamento com a rua Braamcamp, vemos o Marquês de Pombal ao fundo, em toda a sua magnitude; continuamos a subir e estamos em pleno quarteirão das lojas de luxo – e aqui paramos para um pouco de história! Quem se passeia por aqui não imagina que, há cerca de 110 anos, existia aqui o Quartel de Caçadores 2, vulgarmente conhecido por Quartel de Valle Pereiro. O plano de construção desta rua foi demorado e, mais que isso, tornou-se um processo complicado devido à expropriação dos terrenos do quartel do Valle Pereiro, exigindo vários ofícios entre a Câmara Municipal e o Ministério da Guerra. Incrível!

Continuamos a subir e a admirar o Parque de um lado e os hotéis de cinco estrelas de outro, à medida que nos vamos cruzando com homens e mulheres de negócios, atarefados. Este passeio fica ainda mais bonito em Maio e Junho, com os Jacarandás em flor, a encher a rua de flores roxas e azuis. Lá em cima, no topo, a rua termina na Marquês da Fronteira, quase 1 quilómetro e meio depois. Ufa!

Rua Castilho
Rua Castilho em 1909

Deixamos algumas sugestões de quem conhece este bairro como a palma da mão!

Magdala Flores – Não é bem bem na rua Castilho, mas não podíamos deixar de referir esta pequena maravilha de cores e aromas. Nesta florista impera o bom gosto e o serviço personalizado: pode fechar os olhos e deixar tudo ao critério da Francisca e da Madalena. Fica na rua São Filipe Neri, perto do Rato. 

Foodprintz – Este é daqueles sítios que transmite uma sensação de calma e tranquilidade. Somos frequentadores assíduos, quer pela comida deliciosa e criativa, quer pelas aulas de yoga à hora de almoço… E pelos sorrisos com que somos brindados, claro! Fica na rua Rodrigo da Fonseca, n.º 82.

Level Eight – Os responsáveis pelo Fenícios, o restaurante de cozinha libanesa no número 14 da rua Castilho, abriram um terraço no piso superior, em Maio deste ano. Há DJ convidados todos os dias e várias bebidas até às duas da manhã. É o sítio perfeito para relaxar depois do trabalho.

Al Garage – Este restaurante italiano abriu há pouco tempo, mas tem enchido as nossas medidas à hora de almoço (e somos muito exigentes!). Fechamos os olhos e parece que estamos na Piazza Navona, em Roma. 🙂

Tibetanos – Se ainda não provou os Momos – uns delicados pastéis do Tibete – não sabe o que está a perder! Ir a este restaurante é uma experiência, pelo espaço, pelo pátio exterior, mas muito pelos sabores maravilhosos. Fica no início da rua Castilho, mesmo no cruzamento com a rua do Salitre.

Cinemateca – Esta é uma instituição pública dedicada à difusão e preservação da arte cinematográfica e, em especial, do cinema português. Foi criada em 1948, já no mesmo edifício onde se localiza hoje em dia. A programação é variada, para todos os gostos – pode consultar a de Outubro aqui.

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